
Há 46 anos, o Brasil conquistava a Lei da Anistia aos presos e exilados políticos, fruto da luta de tantos que enfrentaram a violência e a censura da ditadura militar. Um passo fundamental na redemocratização do país. Infelizmente, a correlação de forças da época — ainda sob o regime ditatorial — levou também à anistia de torturadores e outros agentes do Estado autoritário. Até hoje seguimos sem respostas sobre os mortos e desaparecidos políticos daquele período sombrio. Alguns filhotes desse período seguem odiando a democracia e continuam tentando golpeá-la até hoje.
Por isso, não podemos permitir que se confunda o sentido histórico da anistia de 1979 com tentativas atuais de apagar crimes contra a democracia. Se ontem lutamos pela liberdade, hoje seguimos firmes contra qualquer anistia a golpistas e violadores do Estado Democrático de Direito. Vale recordar que, quatro anos antes da Lei da Anistia (1979), o nosso partido, o PCdoB, em plena clandestinidade no ano de 1975 e sob feroz perseguição, lançou um documento proclamando as “três bandeiras”: revogação dos atos e leis de exceção, anistia ampla, geral e irrestrita e convocação de uma Assembleia Constituinte livremente eleita. Um partido de vanguarda, combativo onde memória, verdade e justiça continuam sendo nossas bandeiras. No dia 2 de setembro, pela primeira vez, o Estado brasileiro deverá dar uma resposta à altura, com o início do julgamento de Jair Bolsonaro e outros golpistas. Por memória, verdade e justiça!